O vilão do Agile

Quando o Agile estava começando aqui no Brasil, fortemente com a metodologia Scrum, por volta de 2008, eu trabalhava em uma fabrica de software que prestava serviços para uma empresa do Chile. Aquela experiência foi única com Agile na minha carreira, era cerca de apenas 100 funcionários, tínhamos squads, mas sem esta definição pelo nome Squad popularizado anos depois pelo Spotify, podíamos trabalhar de bermuda, tínhamos guloseimas, refri e video game o dia todo, não tem relação com Agile esta parte, mas era legal e criava uma atmosfera de liberdade com responsabilidade. Gostava de comparar lá com o Google.

Depois daquele meu momento passei por outras empresas, como funcionário e com freelances, mas nunca tive a certeza de que realmente eu estava trabalhando novamente com Agile.

E esta incerteza de trabalhar de maneira Ágil quando não era Ágil não era e não é só comigo, ainda bem por eu não estar louco, mas que pena que a situação é mais comum do que parece, vamos ver se você esta na mesma situação:

  • Meu PO não é dedicado ao projeto;
  • Meu PO não sabe o que quer e depende de outras pessoas e demanda tempo para descobrir o que quer;
  • Tem um scrum master na minha equipe que é só scrum master, nada mais;
  • Tudo é Agile até depender de uma tarefa simples de outra área, por exemplo algo de infra ou segurança e o pessoal de qualidade;
  • A histórias são mais poesias, nada é claro;
  • As dailys não são tão diarias assim;
  • O pessoal nem fica de pé na daily e o que deveria ser rápido demora;
  • Na daily acontece longas discussões e por último fica as perguntas o que fiz, estou fazendo e vou fazer;
  • Kanban online, offline e um project, tudo com as mesmas informações e nada atualizado;
  • Tem um gerente de projetos no time de scrum;
  • O tempo de cada sprint variiiiaaaaa;
  • A gente fica sem almoço no planning planejado;
  • Vai chegando no finzinho do projeto e a gente madruga para fazer tudo que deveria ter feito antes e passou batido;
  • O escopo muda, muda as atividade, o esforço, pode mudar até a quantidade de sprints, mas a data de entrega é fiel;

Bom, é engraçado, mas é triste e é a realidade de muitas empresas. Mas também que a verdade seja dita, estas coisas sempre aconteceram, não importa a metodologia, se é ágil ou não, mas o legal é que com ágil o tamanho do buraco fica mais exposto para todos, e ai surgem novas perguntas:

  • Adianta Ágil com processos lentos e obrigatórios?
  • Adianta Ágil sem mudar a estrutura de funcionários para trabalhar com Ágil?
  • Adianta Ágil com varias adaptações que nem de longe parece ágil?

Na minha opinião, podemos ficar discutindo e ter argumento tanto para ser a favor de um Ágil mesmo enviesado ou contra. Mas independente da metodologia, e roubando as palavras do Marcus Lemonis, acredito que a empresa precisar melhorar suas pessoas, processos e produtos. qualquer coisa ou metodologia, sem estes 3 Ps organizados, não tem Ágil que resolva. Logo, se você tem os 3 Ps bagunçados, você tem uma bagunça na empresa.

Portanto, ser ágil sem ter pessoas, processos e produtos. Não vai adiantar nada.

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